HD externo guardado estraga? Como conferir os arquivos
Era domingo, alguém pediu a foto do aniversário de 2015 e o HD externo estava na gaveta desde a última mudança, com o cabo enrolado do lado. Plugou, a letra apareceu, a pasta estava lá. O arquivo também: nome certo, 3,5 MB certos, data certa, miniatura carregando normalmente. Aí a foto abriu, e metade dela era uma faixa cinza.
A foto abriu pela metade — e ninguém tinha mexido nela#
Aquele arquivo não era aberto desde 2016. O disco não fazia clique, não pedia formatação, não sumiu do Explorador. Em algum momento daqueles nove anos os bytes deixaram de ser os mesmos, e nada no caminho abriu a boca.
A pergunta que traz muita gente até aqui é essa: HD externo guardado estraga? Estraga. E ninguém sério vai te dar um prazo em anos para o seu disco na sua gaveta, porque esse número não existe. O que dá para dizer com segurança é o resto: quando um arquivo se estraga parado, ele não avisa.
O disco na gaveta não é um cofre de pedra#
Um HD externo é um objeto físico guardado numa gaveta quente, ao lado de um carregador velho e de uma chave de fenda. Com tempo suficiente, um arquivo que ninguém lê pode deixar de ser exatamente o que era; em inglês isso ganhou o apelido de bit rot.
A degradação lenta da mídia é a metade famosa do problema, e nem sempre é a mais comum: o arquivo também pode ter chegado errado ao disco, por um cabo ruim ou por uma cópia interrompida às três da manhã. O desfecho é o mesmo: o arquivo continua na pasta com o nome certo, o tamanho certo e a data certa. Só o conteúdo não é mais o conteúdo.
Um disco sabe dizer se ele próprio está saudável. O que ele não sabe dizer é se a sua foto de 2015 continua sendo a sua foto de 2015. São duas perguntas diferentes, e quem procura quanto tempo dura um HD externo guardado quase sempre está fazendo a segunda achando que fez a primeira.
Por que você só descobre no pior dia#
Porque ninguém relê. É a resposta inteira, e é sem graça. O Windows não passa os olhos nos seus arquivos sozinho: a verificação de disco que vem com ele examina a organização do volume, não o conteúdo guardado nele. É o exame do arquivista, não do documento, e um disco passa nele com louvor guardando um JPG pela metade.
Copiar no Explorador também não confere nada. Ele leva o que encontra, do jeito que encontra: se o arquivo já estava errado, você fez uma cópia fielíssima de um arquivo errado, e a barrinha verde chegou ao fim do mesmo jeito. É assim que a corrupção silenciosa viaja: o backup do mês que vem copia a versão ruim por cima da boa, o sincronizador espalha para o outro disco, e um ano depois a foto está estragada nos três lugares onde você a achava segura, com as três cópias concordando entre si.
Quando você vai procurar ajuda, a busca por fotos corrompidas no HD externo leva a empresas de recuperação de dados. Elas são ótimas e existem para outro caso: o disco que parou de montar, que faz clique, que pede formatação. O disco daquele domingo não tem nada disso. Ele funciona muito bem. Quem não está bem é o arquivo.
Uma impressão digital por arquivo, gravada no próprio disco#
A única forma de responder “este arquivo ainda é o mesmo?” é ter guardado, um dia, uma resposta contra a qual comparar. É nisso que consiste verificar a integridade de um arquivo, e a peça que falta tem nome: impressão digital (SHA-256). No instante da cópia, sai do arquivo um número de tamanho fixo que muda inteiro se um único byte mudar. Com ele guardado, “está tudo certo?” deixa de ser a opinião de um programa sobre si mesmo e vira uma conta que você pode refazer.
Duas condições fazem a ideia valer na prática, e as duas costumam ser esquecidas:
- Ela precisa morar no mesmo disco que os arquivos, em texto legível. Se mora no banco de dados de um programa instalado no PC, você perde a prova junto com o PC, e o disco da gaveta volta a ser um disco mudo.
- Ela precisa ser calculada na hora da cópia, no mesmo passe da escrita. Quando o programa copia primeiro e volta depois para gerar o número, abre-se uma janela entre duas leituras — e é dentro dela que o silêncio se instala.
O Elegant Vault foi construído nessas duas regras. Ele copia as suas pastas 1:1 para um disco seu e, enquanto os bytes passam, calcula a impressão digital em cima deles, gravando uma linha por arquivo num manifesto de texto na raiz do disco. Ao lado fica um LEIA-ME.txt trilíngue que ensina a conferir um arquivo à mão com o certutil que já vem no Windows.
Daqui em diante o post assume que a cópia existe. Se o seu disco ainda é uma pilha de pastas arrastadas, o caminho está no post de backup em HD externo.
Conferir tudo, com o tempo dito antes#
Conferir é reler os bytes do disco e refazer a conta, arquivo por arquivo, contra o manifesto. É leitura pura: nada é escrito, movido ou apagado. Como demora, o número aparece antes do botão e não depois: “conferir o cofre inteiro vai ler 222,3 GB e levar cerca de 1 h 42 min. Você pode parar no meio: o que já foi conferido fica conferido.” Mas a parte que muda o hábito não é o botão: é a mesa lembrar por você.
Repare no segundo cartão: aquele disco não está plugado, e o programa não inventa opinião sobre ele. Mostra como o cofre estava na última vez que este computador o viu, diz que foi há 69 dias e pede o disco. Uma gaveta que anuncia “faz 69 dias” é bem menos silenciosa do que uma gaveta.
Um limite que precisa vir aqui e não num rodapé: a conferência prova a cópia, não a leitura da origem. Se o arquivo já estava corrompido no PC no dia da cópia, o cofre recebeu e confere fielmente uma cópia corrompida.
O ensaio de 40 segundos, de tempos em tempos#
Conferir o cofre inteiro é o exame completo. O ensaio é o de rotina, e leva uns 40 segundos. Ele sorteia vinte arquivos e traz os vinte de volta de verdade, para uma pasta temporária, conferindo a impressão digital de cada um. O sorteio tem critério declarado: uma parte por igual, uma parte entre os maiores, uma parte entre os de caminho mais comprido e uma parte entre os que estão há mais tempo sem conferência. Esse último é o que interessa a quem teme a degradação silenciosa: o ensaio vai atrás do canto do cofre em que ninguém encosta há anos.
2015/Aniversário/DSCN0912.JPG, sorteada por ser a que estava há mais tempo sem conferência. É exatamente o arquivo da história lá de cima, achado antes do domingo.No fim, a pasta temporária some. Ela é o único lugar do produto inteiro onde este programa apaga alguma coisa, e o que ele apaga foi ele mesmo que criou. Vinte arquivos conferidos não provam quarenta mil, e o programa nunca finge que provam: um ensaio é amostra, não restauração. O que ele prova é que a corrente entre o disco, o cabo e o seu Windows continua entregando o que devia — em menos tempo do que leva um café.
Achou divergência: e agora?#
Divergência é o nome que a interface dá ao arquivo que não bate mais com a impressão digital que tinha quando chegou ao cofre. O programa diz quais, com caminho e nome.
Agora a parte que nenhum vendedor gosta de escrever: detectar não é consertar. Esta versão não tem dado de paridade nem autocura. Ela aponta o arquivo e devolve a decisão a você. Com a lista na mão:
- Abra o arquivo correspondente na origem. Se o do PC estiver bom, o conserto é uma cópia nova para o cofre, e você ganhou o dia.
- Se os dois estiverem ruins, a versão boa tem de vir de outro lugar: o disco antigo, o pen drive esquecido, o e-mail com o anexo.
- Se não houver outro lugar, essa é a lição do dia e ela custou um arquivo. O melhor remédio contra a degradação silenciosa não é software nenhum: são duas cópias, conferidas em datas diferentes.
Há um caso em que a conferência à mão não alcança: caminhos muito compridos. O programa copia e restaura esses arquivos normalmente, mas o Explorador e o certutil não chegam até eles — e a interface diz quantos estão nessa situação, em vez de deixar você descobrir no pior dia.
Uma rotina que cabe numa tarde por estação#
Não existe lei sobre de quanto em quanto tempo conferir; desconfie de quem cravar um número. Existe uma rotina modesta que funciona: plugue o disco quando a estação virar, deixe a conferência rodar enquanto você faz outra coisa, rode o ensaio antes de guardar o disco de volta. Quatro tardes por ano.
O programa não faz isso sozinho, e é de propósito: não há agendador, tarefa de inicialização nem processo de fundo — backup que roda de fundo é backup que falha de fundo. Com o programa aberto, plugar o disco do cofre abre a simulação, e o resto espera o seu clique. Outros limites, ditos aqui em vez de descobertos depois: esta versão não guarda versões antigas (histórico entra na 1.1, gratuita), o destino é um disco local e não um NAS, e o cofre não é criptografado, que é o que o deixa legível em qualquer PC sem este programa. O resto está no changelog.
A conferência não substitui a segunda cópia: ela avisa a tempo de ainda haver para onde correr. Se o acervo em questão for o de fotos, vale organizá-lo por data de captura antes de mandá-lo para o cofre.
A página do Elegant Vault mostra a mesa, o selo, o ensaio e os limites conhecidos com todas as letras. São 15 dias de avaliação no seu PC, sem cartão e sem conta, e a licença é compra única: US$ 12,99 de lançamento, contra US$ 24,99 de tabela. Conferir e restaurar nunca expiram, nem depois da avaliação.
Elegant