Elegant Vault 2.0: a mudança de disco que entrega recibo
O disco novo chegou numa quarta-feira, ainda no plástico. O velho tem 1,7 TB de vinte anos: fotos, contratos, um projeto de 2011 e uma pasta chamada coisas que ninguém tem coragem de abrir. Você liga os dois, arrasta tudo para a janela da direita, vai dormir. De manhã a barrinha chegou ao fim e não apareceu nenhum erro vermelho.
Aí vem o gesto que quase todo mundo faz e ninguém conta: botão direito nas duas pastas, propriedades lado a lado, olhar os dois números. E eles não batem.
O dia em que os dois números não batem#
Comparar duas pastas pelo tamanho é o instinto certo com a ferramenta errada. Os dois números divergem por motivos honestos e chatos: os discos arredondam o espaço de cada arquivo de jeitos diferentes, um deles pode guardar informação extra que o outro não guarda, e uma pasta com trinta mil arquivos pequenos engorda de um lado e não do outro. Bater exatamente seria a coincidência, não a regra.
O problema é que o inverso também vale, e é o que assusta: os números podem bater com um arquivo faltando. Um vídeo de 3 GB que não passou e trinta mil miniaturas que passaram fecham a conta quase igual. O tamanho da pasta responde “quanto ocupa”, e a sua pergunta era outra: chegou tudo, e chegou inteiro?
Sem uma resposta para essa pergunta, o desfecho é sempre o mesmo. Você não formata o disco velho. Ele vai para a gaveta “por via das dúvidas”, com o cabo enrolado do lado, e fica lá dois anos cobrando uma decisão que você adia porque tomá-la exige uma certeza que ninguém te deu.
Foi para esse dia que a 2.0 nasceu.
O que a 2.0 traz, em três frases#
O modo Mudança copia as pastas que você escolheu para o disco novo enquanto você olha, com o mapa da travessia na tela: o que já passou, o que está passando, o que falta.
No fim, ele relê o que gravou — do disco novo, não da memória do Windows — compara com a impressão digital que anotou no caminho e fecha o selo. Junto sai um recibo em CSV que abre em qualquer planilha, uma linha por arquivo, com o motivo de cada um que ficou de fora.
E só então, se você pedir, ele oferece liberar as pastas de origem que provou estarem inteiras lá.
“Vocês diziam que este programa não apagava nada”#
Essa é a pergunta certa, e ela merece a resposta antes de qualquer novidade — inclusive antes das bonitas.
Mudou uma coisa e não mudou a outra, e vale a pena separar. O espelho não mudou: ele continua sem um verbo que apague ou sobrescreva arquivo seu, e nas pastas que ele espelha o programa só lê, do primeiro byte ao último. Arquivo que sobrou no cofre continua virando linha de relatório. Restaurar continua trazendo o arquivo ao lado do que já está lá, com sufixo, nunca por cima.
O que nasceu na 2.0 é um segundo modo, a Mudança, que existe para o dia em que você troca de disco — e é só ali, no fim, que o programa oferece liberar a origem. Preferimos escrever isso do que deixar a frase antiga virar meia-verdade.
Existe um lugar no produto inteiro onde ele apaga arquivo seu, ele se chama liberação da Mudança, e você abre a porta com a própria mão. Ela é a mais cercada de todas: uma tela separada, que só abre depois do selo fechado, que não vem marcada, que não roda sozinha e que não oferece nada que não tenha provado três vezes.
Não vamos pedir desculpa por ela. O verbo nasceu porque o dia da troca de disco é real e a alternativa honesta — arrastar, torcer e guardar o disco velho para sempre — é pior. O que dá para prometer é o cerco, e o cerco é o resto deste post.
O recibo, e onde ele fica#
No fim da travessia vem o selo, com as cinco contas na mesma linha: copiados, conferidos, divergências, recusados de propósito e falharam. A linha é indivisível de propósito — nesta interface, “0 divergências” sozinho não existe.
E vem o papel. O recibo é um CSV que abre em qualquer planilha, com uma linha por arquivo — inclusive os que ficaram de fora, cada um com o motivo. Ele fica em dois lugares: no seu PC e ao lado do destino, junto de um LEIA-ME.txt trilíngue que explica o que aquela pasta é para quem a encontrar daqui a dez anos sem saber de nada.
Ele também não se apaga sozinho depois de N dias, e essa é uma escolha e não um esquecimento: um movimento sem volta que não deixa registro é um movimento sem testemunha. Se você quiser apagar o recibo, apague — não desfaz nada e não quebra nada. Mas ele não vai sumir por conta própria no dia em que você mais precisar dele.
E se você liberar a origem, a liberação entra no recibo também, com data. É a única coisa sem volta que aconteceu naquele dia; um papel que registra tudo menos ela seria um papel que mente por omissão.
As três provas, arquivo por arquivo#
A porta não oferece uma pasta: ela oferece cada arquivo que passou nas três provas. E as três são feitas por arquivo, não por lote.
Prova 1 — está no selo, limpo. O arquivo precisa estar no selo daquela travessia, sem divergência. O que entrou como divergência, recusa ou falha não chega nem a ser oferecido.
Prova 2 — o destino foi relido do disco. O programa lê o arquivo de volta no disco novo, do disco e não da memória do Windows, e compara com a impressão digital anotada no manifesto.
Prova 3 — a origem continua intacta. A origem é conferida no segundo do gesto. Se alguém mexeu nela entre a cópia e a liberação, o arquivo fica — porque o que ele provou não é mais o que está lá.
Reprovou numa das três? Fica, aparece nomeado, e a tela diz o porquê. Na prática você lê uma frase como esta:
“412 de 415 arquivos podem sair da origem”
“3 ficam na origem, e aqui está o porquê”
Três arquivos parados no meio de 415 é o tipo de número que um vendedor esconderia. Aqui ele é o produto: a lista dos que ficam, com nome e motivo, é a prova de que a lista dos que saem foi conferida de verdade.
A última porta: duas telas, e nenhuma delas vem marcada#
Onde o disco de origem tem Lixeira, é para lá que os arquivos vão — e o número fica na tela, porque a maior decepção possível é liberar 312 GB e ver o disco continuar cheio:
“A Lixeira fica no disco de ORIGEM (D:). Estes 312 GB só ficam livres quando você esvaziá-la.”
E a ressalva que precisa vir junto, não depois: a Lixeira tem cota. O que não couber nela o Windows apaga em definitivo, e o recibo registra.
Onde não há Lixeira — pendrive, disco externo, cartão de memória — a tela diz em voz alta que isto é definitivo, mostra os números e pede a palavra digitada. Nesse caminho a prova sobe um degrau: a origem é relida e reconferida contra o manifesto imediatamente antes de cada arquivo ser solto, para que a janela entre a prova e o gesto seja a menor que este desenho permite.
E há um caso em que a porta simplesmente não abre: origem em disco de rede fica intacta. Copiar de uma pasta de rede segue normal; liberar, não. É a única resposta que a gente sabe dar sem inventar certeza sobre a máquina do outro lado.
Comprou a 1.0? A 2.0 é sua#
Sem pagar de novo. É a mesma compra única.
Não existe caminho de atualização para percorrer, nem código para resgatar: a licença é da loja, por produto, e não por versão. A 2.0 chega pelo canal normal de atualização, e a ausência de qualquer ritual é a entrega.
As promessas da 1.x continuam de pé, com número novo: histórico de versões, agenda e destino em disco de rede (NAS) continuam prometidos, continuam gratuitos, e agora são a linha 2.x. Nada foi cancelado. A Mudança entrou na frente porque ela tem data — é o dia em que o disco novo chega — e as outras três não têm.
Uma linha para quem vai ler rápido e concluir errado: a poda do espelho continua não existindo. A Mudança libera origem, jamais destino. O cofre de destino não é tocado por ela, e um cofre que nunca apaga cresce para sempre — o que continua sendo a ressalva mais importante da página do produto.
Espelho é o mês que vem; a Mudança vai embora#
A fronteira entre os dois modos cabe numa frase, e ela é a mesma que a gente usa aqui dentro para decidir o que entra em cada um: se vai rodar de novo no mês que vem, é espelho. A Mudança entrega o recibo e vai embora — ela não roda sozinha e não é agendável, porque um dia com data não é uma rotina.
A página do Elegant Vault mostra a travessia, as três provas e as duas telas de confirmação com todas as letras, e as perguntas frequentes respondem na mesma página, sem letra miúda, o que fica de fora. Vale saber antes da travessia: esta versão não copia permissões nem dono dos arquivos, não move nada entre dois PCs pela rede, não clona partição — e não agenda nada. O changelog diz o que mudou e quando.
São 15 dias de avaliação no seu PC, sem cartão e sem conta, e a licença é compra única: US$ 12,99 de lançamento, contra US$ 24,99 de tabela. A avaliação bloqueia um verbo só, o de copiar — conferir e restaurar nunca expiram, nem depois dos 15 dias, nem para quem nunca comprou.
E se, depois de ler tudo isso, a sua conclusão for “eu prefiro copiar à mão e guardar o disco velho na gaveta”: é uma decisão defensável, e ela custa uma gaveta. A nossa proposta é trocar a gaveta por um recibo.
Elegant