Copiar arquivos de um HD para outro — e saber que chegou tudo
Copiar arquivos de um HD para outro é a tarefa mais fácil do Windows: seleciona tudo, arrasta, espera. O difícil vem depois, quando a barrinha some e sobra a pergunta que ninguém sabe responder — chegou tudo?
E ela importa por um motivo só: enquanto não houver resposta, você não vai apagar nada do disco velho. Ele fica na gaveta, ocupando dinheiro e espaço, guardando uma cópia que talvez seja a única boa ou talvez seja lixo. Este post é sobre como sair desse limbo com prova na mão, e sobre por que a última parte — soltar a origem — precisa ser a mais difícil de todas.
Comparar o tamanho das pastas não prova nada#
O teste caseiro é sempre o mesmo: propriedades das duas pastas, lado a lado, e comparar os números. Ele é péssimo nas duas direções.
Números diferentes quase nunca são um problema. Cada volume reserva o espaço em blocos de tamanho próprio, e trinta mil arquivos de 3 KB ocupam uma coisa num disco e outra no outro. Alguns arquivos carregam informação extra colada neles — a marca de “veio da internet” é a mais comum — que atravessa ou não atravessa a cópia dependendo do caminho. E há arquivos que declaram um tamanho enorme e ocupam pouco, porque estão cheios de vazio; ao copiá-los, o vazio pode virar espaço de verdade do outro lado. O Windows também conta “tamanho” e “tamanho em disco” de dois jeitos, e a maioria das pessoas compara o de cima.
Números iguais também não provam nada. Um vídeo de 3 GB que não passou e trinta mil miniaturas que passaram fecham a conta com uma folga que ninguém percebe. Tamanho é volume. A sua pergunta é sobre conteúdo.
A pergunta certa não é “quanto ocupa lá?”. É: cada arquivo que estava aqui está lá, e os bytes dele são os mesmos? Essa pergunta só tem resposta se alguém tiver anotado, no momento da cópia, o que era cada arquivo — e depois relido o que gravou.
Os três caminhos, e o buraco de cada um#
Arrastar no Explorador. É o caminho de 95% das mudanças de disco, e ele não confere nada. O Explorador leva o que encontra do jeito que encontra; se um arquivo chegou torto, a barrinha verde chega ao fim do mesmo jeito. Ele também é o pior lugar para descobrir um erro no meio: um diálogo no minuto 40 pode parar a fila e você só nota de manhã.
robocopy com /V. É o caminho de quem sabe, e é melhor — ele registra, retoma e diz o que fez. Mas o /V não é a garantia que a maior parte da internet acha que é, e essa é a parte que quase ninguém escreve em português.
Um engenheiro da Microsoft explicou isso há anos, sobre o /V do velho XCOPY, e o argumento vale igual hoje: quando o programa acaba de escrever um arquivo e imediatamente o lê de volta, quem responde é a cache do sistema, não o disco. Os bytes ainda estão na memória — foi você que acabou de pô-los lá. A “verificação” compara, na prática, um buffer de RAM com outro buffer de RAM, e os dois vão bater sempre, inclusive quando o que desceu para o prato ou para a memória flash saiu errado. Não é um defeito do robocopy: é o que acontece com qualquer releitura ingênua, feita logo depois da escrita, em qualquer sistema operacional.
Comparar à mão, com hashes. Funciona, e é o que fazem as pessoas mais cuidadosas: gerar uma lista de impressões digitais na origem, outra no destino, comparar. O buraco aqui não é técnico, é humano — são dois passos manuais em quarenta mil arquivos, você faz uma vez, na segunda mudança de disco não faz, e a lista fica num arquivo que ninguém encontra dois anos depois, quando ela finalmente seria útil.
O que “conferir” precisa significar#
Três condições, e as três costumam faltar:
- A impressão digital sai no mesmo passe da escrita. O número que identifica o arquivo é calculado sobre os bytes enquanto eles passam, não numa segunda leitura feita depois. Quando o programa copia primeiro e volta depois para gerar o número, abre-se uma janela entre duas leituras — e é dentro dela que o silêncio se instala.
- A conferência relê do dispositivo, não da memória. É a lição do parágrafo anterior, virada do avesso: a releitura precisa ir buscar os bytes no disco, ignorando a cache do Windows, ou ela está conferindo a própria lembrança.
- A prova mora no mesmo disco que os arquivos, em texto legível. Se a lista está no banco de dados de um programa instalado no seu PC, você perde a prova junto com o PC. No disco, em texto, ela sobrevive ao programa, ao computador e a você.
O Elegant Vault foi construído nessas três regras, e a Mudança é o modo dele para o dia da troca de disco: copia, relê do disco novo, fecha o selo e entrega um recibo em CSV com uma linha por arquivo — inclusive para os que ficaram de fora, com o motivo de cada um.
E aqui vai o limite, dito em voz alta em vez de escondido no rodapé: nenhum software prova o que o firmware da sua gaveta USB guardou em cache própria. Dá para pedir ao Windows que não responda pela memória dele; não dá para mandar num controlador dentro de uma caixinha de plástico que mente sobre ter gravado. Quem promete certeza absoluta aí está vendendo o que não tem. O que a conferência entrega é enorme e é finito: ela pega o cabo ruim, a cópia interrompida, o setor que já nasceu torto e o arquivo que degradou depois — e nomeia cada um.
Por que soltar a origem pede três provas e um gesto#
Agora a parte que este post existe para escrever.
Copiar é aditivo: se der errado, você tentou de novo e não perdeu nada. Apagar a origem é o único movimento sem volta do dia inteiro, e por isso ele não pode herdar a confiança do movimento anterior. “A cópia terminou sem erro” é uma frase sobre o passado; a pergunta que autoriza o apagar é sobre o presente — este arquivo, agora, está inteiro lá?
Por isso a liberação não é uma caixinha marcada no fim do assistente, nem um “concluir e limpar”. É uma tela separada, que só abre depois do selo fechado, e que não vem marcada. Ela não oferece uma pasta: oferece cada arquivo, um por um, e só os que passaram nas três provas.
Prova 1 — o arquivo está no selo, limpo. Ele precisa constar daquela travessia sem divergência. O que entrou como divergência, recusa ou falha não chega nem a ser oferecido — não fica cinza, não fica desmarcado: não aparece como opção.
Prova 2 — o destino foi relido do disco. O arquivo é lido de volta no disco novo, do disco e não da memória do Windows, e comparado com a impressão digital anotada no manifesto. Esta é a prova que responde ao problema do /V.
Prova 3 — a origem continua igual ao que foi lido. Conferida no segundo do gesto, não no dia da cópia. Se alguém mexeu no arquivo entre a travessia e a liberação — você mesmo, um programa, uma pasta sincronizada — ele fica. O que ele provou não é mais o que está lá, e uma prova vencida não vale.
Reprovou numa? Fica, aparece nomeado, e a tela diz o porquê. É a diferença entre um programa que trabalha para você e um que trabalha para o próprio relatório:
“412 de 415 arquivos podem sair da origem”
“3 ficam na origem, e aqui está o porquê”
E depois das três provas ainda falta o gesto, que é a quarta trava e a única que não é técnica: alguém precisa querer. Nada aqui acontece por inércia, por caixa pré-marcada ou por agendamento — não existe agendador, não existe tarefa de inicialização e não existe processo de fundo, nem para copiar nem para liberar.
A Lixeira primeiro — e o número que fica na tela#
Quando o disco de origem tem Lixeira, é para lá que os arquivos liberados vão, sempre. É a rota preferida porque ela deixa uma rede embaixo do trapézio, e a rede vale mais do que a economia de dois cliques.
Ela vem com uma decepção embutida que a gente prefere entregar antes:
“A Lixeira fica no disco de ORIGEM (D:). Estes 312 GB só ficam livres quando você esvaziá-la.”
Quem libera 312 GB e vê o espaço livre não se mexer acha que o programa falhou. Não falhou — os arquivos ainda estão no mesmo disco, dentro da Lixeira dele, e só saem quando você esvaziar. Melhor ler isso na tela do que descobrir na barra de espaço.
E a ressalva que anda junto: a Lixeira tem cota. Um lote grande pode empurrar itens antigos para fora dela, e o que não couber o Windows apaga em definitivo — o shell diz “movi” e aquele item foi embora. Por isso, no recibo, cada arquivo liberado fica registrado com o que aconteceu com ele. Não é uma ressalva confortável; é a verdadeira.
Onde não há Lixeira: a palavra digitada e a quarta prova#
Pendrive, disco externo, cartão de memória: nesses volumes o Windows não mantém Lixeira. Apagar ali é definitivo, e um programa que fingisse o contrário estaria mentindo na tela mais cara do produto.
Então a tela muda de cara e faz três coisas: diz em voz alta que isto é definitivo, mostra os números — quantos arquivos, quantos GB — e pede a palavra digitada. Não é um “tem certeza?” que se clica sem ler; é um campo em branco onde a sua mão tem de escrever, o que é o único gesto de confirmação que não dá para fazer no automático.
E a prova sobe um degrau: nesse caminho a origem é relida e reconferida contra o manifesto imediatamente antes de cada arquivo ser solto, arquivo por arquivo, para que a janela entre a prova e o verbo seja a menor que este desenho permite. Numa rota com Lixeira, três provas e uma rede embaixo; numa rota sem volta, quatro provas e nenhuma folga.
Há ainda um caminho onde a porta não abre de jeito nenhum: origem em disco de rede fica intacta. Copiar de uma pasta de rede funciona normalmente; liberar, não. Do outro lado do cabo existe uma máquina cujo comportamento a gente não controla, e a resposta honesta é não oferecer.
O que este programa não faz#
Um quadro curto, porque quem procura como passar arquivos de um HD para outro frequentemente quer uma destas quatro coisas — e três delas não são esta ferramenta:
| A tarefa | Aqui |
|---|---|
| Levar arquivos do PC velho para o PC novo pela rede | Não. A Mudança é entre discos da mesma máquina; para trocar de computador, o próprio Windows resolve na configuração inicial |
| Preservar permissões, dono e auditoria dos arquivos | Não. A cópia é dos arquivos e da árvore de pastas, não das permissões |
| Clonar a partição inteira, com Windows e programas | Não. Isso é clonagem de disco, outra categoria e outra ferramenta |
| Rodar sozinho, agendado, sem você olhar | Não, e nunca. Backup que roda de fundo é backup que falha de fundo |
Dito o que não é: o que ele é cabe numa frase. Um dia com data em que as suas pastas atravessam para o disco novo, com prova por arquivo e recibo no fim — e, se você pedir, a origem liberada em cima dessa prova.
A página do Elegant Vault mostra a travessia, as três provas e as duas telas de confirmação, e as perguntas que se fazem antes de comprar estão respondidas na mesma página, com todas as letras. São 15 dias de avaliação no seu PC, sem cartão e sem conta, e a licença é compra única: US$ 12,99 de lançamento, contra US$ 24,99 de tabela. Conferir e restaurar nunca expiram, nem depois da avaliação.
Se o disco novo já chegou, o post de anúncio da 2.0 conta o dia inteiro, do plástico ao recibo.
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